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Toque-me!

 

 

Partitura aberta. No palco o piano espera

Da plateia ouvem-se rumorejos buliçosos

Corpos sequiosos pelo início do concerto


No interior, as cordas se agitam excitadas

Todas afinadas e prontas para os acordes

Tesas, no intervalo  que  antecede o toque

 

Silêncio. O pianista surge. Meia-luz  em foco

Melodiosa sinfonia mansamente lírica ressoa

Tesouro  de  sons  tombando sobre as teclas

 

Breve, semibreve, sobre si, um fá, lá, sem dó

Longos dedos hábeis fazendo vibrar até o Sol

Contagiando os ouvidos, iluminando as almas


E as notas vão gemendo, subindo, deliciando,

extasiando  o  público, que em deleite sonoro,

levanta-se,  aplaude  e  grita: Bravo!  Bravo!...





Rosa Mattos

http://contosdarosa.blogspot.com

 



Rosa *15h36




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Sobejamente


 

 

Já fiz muitos versos tecidos a choros


Cheios de dores carimbadas no couro

 

Macerados em estertores epilépticos

 

 

Asfixiantes estrofes em decomposição

 

Como veias esticadas no varal da vida

 

Inoperáveis chagas vertendo à mostra

 

 

O que fica nem sempre é o que sobra

 

Se o tormento quer emergir - deixe vir!

 

As palavras podem ser tudo que resta


 

 

Rosa Mattos


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Rosa *07h58




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Paralelos que se Abrem

 


Anoiteceu. Sentei-me e abri as janelas. Esperei


Um cenário de cores e sons logo me arrebatam


O céu está limpo e as estrelas passeiam felizes


Vagueio como uma pluma levada pela ventania


 


Suspensa por fios invisíveis procuro por alguém


Sinto fome da presença dele. Aguardo, ansiosa


Enquanto isso, fico na orla comendo horizontes

 


Então, ele vem! 


reluzente, das frestas do infinito

 


Tímida e dócil feito uma chinchila, pulo as ondas


E me alimento dele  e  de seus náufragos afagos


Mergulhando num doce momento, real e sublime


Depois, fecho as janelas e desligo o computador

 

 

Rosa Mattos


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(poema vencedor do 3º Pena de Ouro do Ostra da Poesia)



Rosa *09h11




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S a u d a d e s

 


Espalhou os retratos dela sobre a cama

Tocando em cada um, carinhosamente,

Enquanto ajeitava os lençóis enrugados

 

Seguia o mesmo ritual todas as manhãs

Fotos coladas na textura de seu cérebro

Por tantas e tantas vezes vislumbradas

 

Lembranças de ontem, ressoantes hoje

Esperando com isso cessar o temporal

Em que seu exilado coração navegava

 

O amor de uma vida inteira sequestrado

Arrancado de seus braços numa curva

Colisão. Freada brusca. Último suspiro.

 

Andava a esmo pela casa antes tão viva

Apurando o ouvido a cada som e risada

Deixada pelos cantos, aqui e ali, em tudo

 

Tocado por um sopro de vento, ergueu-se

Secou as lágrimas que desciam teimosas

Foi até o quarto da filha pequena e falou:

“Obrigado, por ter me deixado um anjinho!”

 

 

Rosa Mattos


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Rosa *12h54




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P e r d i ç ã o


Olhos obcecados, fixos, perdidos

No peito um monstro esfomeado

O sangue borbulhando nas veias

Comoção corrosiva e inesperada

 

No rosto um vivo calor acendia

Fazendo latejarem as têmporas

Alvoroçando medos e membros

Densos véus caindo um a um...

 

Enredado em algum turbilhão

Persegue dementes impulsos

Febris, aprazíveis, dominantes

Ávidos dedos viajam delirantes

 

Qualquer ideia tonteia e dispara

Em fagulhas dores pelos ossos

Inebriante fome que não cessa

   É isso que chamam de paixão?  

 

 

Rosa Mattos


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Rosa *12h53




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I m p u l s o s

 


 

Hoje decidi deslizar como uma sereia

Pelas espumas dos acontecimentos,

Colocar num barquinho meus medos

E deixar que as corredeiras os levem

 

Abrirei as comportas dos sentimentos

Represados por riachos de precaução

Sufocados em extensos receios vãos 

E por tudo mais que achei importante

 

Esse rio de ajuizamento me escondeu

Gastou meu querer  e quase me secou

Por pouco não me tornei um advérbio

Nunca! Jamais! Eu vivia de negações

 

Resolvi escorregar em queda-d’água

E nadar a favor e contra as correntes

O que poderá ser pior que não viver?

Viajarei assim e me encharcarei toda

 

Ao menos hoje... Amanhã, já não sei

 


 

Rosa Mattos


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Rosa *14h59




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Poeminha Doce

 

No meio dos

 meus sentimentos

 pousou um beija-flor

 e sobre a rosa em flor

 ele docemente fez amor

 

 

Rosa Mattos

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Rosa *11h35




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A Essência da Felicidade

 


Vigiado pela paisagem verdejante dos pampas

Assentou duas achas de lenha no fogo de chão

Arrumando melhor o chapéu de palha trançada

Que teimava em sair ao minuano limpo e seco

 

Tirou os arreios do cavalo e alisou-lhe o lombo

Assobiando a cantiga em parceria com o vento

Que se espalhava pelo mar verde das coxilhas

E se ia embora espantando o frio e a quietude

 

Rodeado pelo cheiro das reses que pastejavam

Estendia o corpo cansado da lida e mirava além

Construindo sonhos e planícies de simplicidade

No crepitar das chamas a natureza se enlaçava

 

Fechou os olhos e pensou, antes de adormecer

Como um homem pode ser feliz com tão pouco

Bastava-lhe o cheiro da terra e o calor da vida

Que brotava em torno das abas de seu chapéu

 

 

Rosa Mattos

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Rosa *11h27




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Momentos de Amor

 

Vivia uma vida anônima, abstrata

Até pousar seus olhos nele

E num lapso de tempo

Tudo aconteceu

 

Embalada pelo feitiço do amor

Deixou-se levar pela magia

Como a sinfonia de uma

Bela e linda canção

 

Assim foi até o dia da partida

Quando ele disse adeus

E saiu de sua vida

Sem explicação

 

Ficou nela por muito tempo

O gosto dos seus beijos

O calor do seu corpo

E uma saudade

Sem fim

 

Desde então, sempre que ouve

O entoar de uma bela canção

Transporta-se para aquelas

horas sublimes que não

se repetirão jamais!

 

 

Rosa Mattos

 

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Rosa *19h56




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Aguardando a postagem da poeta.



Rosa *14h30




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